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MAIS UM FIM DE TARDE COM JOÃO BONITÃO!
Escrito por Cesar Marques às 02h17
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Os prós e contras de já ter sido um Top no Brasil:
O lado bom: - Você tem história pra contar e uma sala de troféus. - Muita gente ainda comenta como você era bom e você sente que o esforço não foi em vão. - Você era tão comentado e tietado que até hoje pintam umas balzaquianas, ex-Marias Parafinas, dando mole.
O lado ruim: - Você precisa liberar o quarto pra seu filho que tá pra nascer e não tem onde pôr tanto troféu, medalha e aquela tralha toda. - Antes de comentar como você mandava bem, todos se assustam com sua pança e deixam escapar que você tá parecendo um boi. - Se você, que era atleta, tá parecendo um boi, imagine as ex-Marias Parafinas que ainda lhe dão mole.
Escrito por Cesar Marques às 02h05
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NAVEGANDO EM MAR DE TSUNAMI
Me lembro como se fosse ontem. Aquela lata de Coca caindo no chão do barco. Depois de navegar por mais de 14 horas, atravessando o mar de Andaman numa horrível tempestade, o Crescent finalmente lançou âncora numa praia protegida dos ventos.
Estávamos onde não poderíamos estar, segundo o governo indiano. Car Nicobar, a primeira ilha mais ao norte do arquipélago de Nicobar. O cenário era deslumbrante. Ilhas e mais ilhas com bancadas de coral perfeitas pro surf num dos pontos mais ermos do planeta, com tribos de origem incerta e que ainda hoje não foram estudadas. Eu li, antes de embarcar na expedição, sobre um cinegrafista que tinha levado uma flechada por um povo, os Jarawa, que não queria contato com brancos invasores de jeito nenhum. O cara morreu.
E eis que subitamente, na placidez do fim de tarde, nos vimos cercados por umas dez canoas. Os caras foram se aproximando.
Ninguém, nem nós nem eles, abria a boca. Fiquei ainda mais tenso ao perceber que o capitão inglês também estava visivelmente nervoso.
Iriam nos atacar? Um a um, eles subiram no barco. O deck ficou lotado. Os caras murmuravam entre si e tocavam nas coisas com visível estranhamento. Matei a charada. Percebi que nunca tinham sentido ou visto superfície feita com fibra ou alumínio. Passavam o dedo, encostavam a mão, e discutiam na maior seriedade. Um certo desconforto no ar. Não havia interação. Nosso grupo de um lado apreensivo. Os nativos do outro. Até que Nouk, o cozinheiro tailandês, abriu a geladeira, pegou uma Coca e ofereceu ao grupo. Meio receoso, um deles pegou. E largou no ato. A Coca se espatifou, vazando seu líquido marrom. O cara começou a gritar e foi o maior alvoroço. Gelei.
Um deles se abaixou e tocou na lata. Era gelada. Ele nunca tinha tocado em nada frio. Não conhecia gelo, muito menos geladeira, menos ainda lata gelada com líquido dentro pra beber. Os caras não acreditavam na novidade. Em pouco tempo cada um segurava uma lata de Coca ou de cerveja. Bebiam e cuspiam com cara de nojo.
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foto: Arquivo Pessoal |
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Fred curtindo a hospitalidade local | A lata gelada havia acabado com o impasse. Fizeram sinais nos convidando pra conhecer a ilha. Foi lá, ao me separar dos gringos e vagar sozinho pelas poucas casas de madeira e palha que compunham a vila de Car Nicobar, que ouvi um chamado. Virei e lá estavam eles.
Pareciam guerreiros. Vestidos com panos e ornamentos maravilhosos.
Respeitosamente, cliquei aquele momento mágico na minha máquina chumbrega. Foi nessa dupla que pensei quando do tsunami. Os arquipélagos de Andaman e Nicobar foram atropelados pela catástrofe.
Busquei informações na internet e soube que mesmo hoje ainda não se sabe a extensão da tragédia. Culturas ainda não estudadas podem ter desaparecido. O isolamento e a falta de interesse econômico os condena à própria sorte…
E agora, cinco anos depois, sentado no chão do aeroporto de São Francisco, enquanto escrevo esta coluna, aguardo chamar o vôo que vai me levar pra viver uma história parecida. Só que ao contrário.
Maldivas também foi detonada pelos maremotos de dezembro. E como a temporada de surf só está começando agora ainda não se sabe ao certo que conseqüências o tsunami deixou. As ondas foram afetadas?
Os hotéis? Como estará a população local? Em breve ficarei sabendo…
Os surfistas australianos Tony Hinde e Mark Scanlon naufragaram no norte do arquipélago em 1972. Pegaram carona no veleiro de um americano maluco, viciado em ópio, e navegando do Sri Lanka até a África, que deveria ser o destino final, acabaram por encalhar numa bancada de coral das Maldivas. Os caras ficaram alguns meses no norte e viram altas ondas, mas sem barco tudo era muito complicado.
Mark acabou voltando pra Austrália, mas Tony ficou. Casou com uma maldiva, se convertou ao islamismo, virou Tony Hussein, e depois de guardar o segredo do tesouro do surf das Maldivas por 15 anos, criou a Atoll Adventures que vende pacotes pra surfar Pasta Point, uma esquerda de sonho, na ilha de Tari, perto da capital Malé. A novidade é que ano passado inauguraram um novo aeroporto lá no norte, pertinho de onde Tony naufragou mais de 30 anos atrás. Vai ser nosso ponto de partida.
Como no caso de Nicobar (e de Angola), o organizador dessa trip é o americano John Callahan, uma espécie de Indiana Jones das ondas e um dos melhores fotógrafos de surf de todos os tempos. Vamos navegar por duas semanas pelas ilhas do nordeste do arquipélago num barco tradicional malé chamado dhoni e descobrir novas ondas ajudados por Tony. Parece que vamos pra um atol chamado Tiladumati. Adriano Mineirinho e Pablo Paulino, dois talentos da nova geração, ambos campeões mundiais Júnior, e quem eu nunca encontrei ou vi surfar, também vão. Além de uns outros gringos. E tem também sério risco de um novo tsunami nos próximos três meses. Isso é tudo o que eu sei sobre a viagem. Acabaram de chamar o vôo pra Singapura.
Seja o que os deuses quiserem. |
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Histórias e Lendas... |
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Por: Fred d´Orey |
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Escrito por Cesar Marques às 01h54
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TEMPORADA DO MEDO
Por: Teco Padaratz Publicado em: 05/2005
Todo surfista tem uma meta pela frente, que é superar seus limites em todos os sentidos. Seja nas manobras que executa, na velocidade que alcança em cima da prancha ou até mesmo o tamanho da onda que dropa. Mas também há aqueles que preferem superar seus limites colocando-se nas situações mais incríveis de perigo e adrenalina. O que nos leva a pensar que um dos fatores mais presentes na vida do surfista é o medo.
Quase ninguém gosta de falar que tem medo, até o dia em que você chega na praia com aquele mar sinistro e inventa compromissos, dores de barriga, pranchas pequenas demais, enfim, imaginação é o que não falta na hora de puxar o bico daquele drop radical. E digo o mesmo para todos os surfistas, pois sempre passaremos por isso. Ainda tenho arrepios ao lembrar as noites em claro no Hawaii, sabendo que o mar iria ficar enorme e na manhã seguinte teria que enfrentar as ondas já na primeira bateria.
E quando o assunto é Pipeline, por exemplo? Lá todos mostram quem realmente são. É obvio que existem pessoas que enfrentam as situações com muito mais calma e clareza, porém nem mesmo eles estão livres de sentir aquele frio na barriga antes de se jogar nas ondas. Talvez seja a característica mais marcante de cada surfista, a capacidade de mostrar seu surf em condições pesadas sem nenhuma máscara por fora.
Passei praticamente minha juventude inteira pensando em como seria surfar as praias havaianas, se realmente teria coragem de entrar na água. De alguma forma, que não sei bem como explicar, enfrentei os mares mais cavernosos que apareceram em meu caminho como qualquer surfista mortal. Com o coração na mão, muita dor de barriga, sem dormir uns três dias esperando por aquela ondulação. Por isso, acho que os surfistas são alguns dos esportistas mais ligados à força divina. É ali que nós nos apoiamos antes de entrar no mar. É ali que encontramos força para nos acalmar e superar os limites, sendo muito bem recompensados pela sensação única de vitória sobre nós mesmos. É como conquistar a própria liberdade. Digo isso porque quando estamos travados de medo ficamos escravos do pessimismo e do mau humor. Temos a sensação de que nada vai melhorar e com isso a agonia nos cega as idéias de curtição e prazer de surfar um mar mais poderoso. Só que após encarar os medos, saímos da água leves, como se tivessem tirado um peso enorme das costas.
Mas já que estamos falando deste assunto, vale dizer também que existem aqueles que jamais assumem que têm medo. Muitos enfrentam os mares mais casca-grossa por justamente ser mais fácil enfrentar as ondas do que os comentários: "Você está com medo, não tem a manha de surfar este tipo de onda", ou algo assim. Não importa, a real é que no fundo sonhamos em ser corajosos e que nada nos afetará. Como em filmes de Hollywood. Só que no surf a vida é bem real e as ondas machucam física e psicologicamente quando não são respeitadas. Um bom exemplo disso é o meu irmão Neco, que quase perdeu a vida na rasa bancada de Teahupoo, mas conseguiu dar a volta por cima e vencer seus demônios.
Já participei de baterias em que o adversário quer mais é que você ganhe para se livrar daquela situação ingrata e insuportável. E bota insuportável nisso. Vá ver como é entrar em Teahupoo quando está acima de 10 pés. Você não sabe o que fazer, de um lado é a consciência dizendo que se todos fazem você também pode, e do outro o medo dizendo: "Olha só o poder desta onda, se pega na minha cabeça me mata com certeza". Ficamos entre a cruz e a espada. Uma vez lembro do Todd Prestage dizendo para mim após eu desejar-lhe boa sorte num mar grande em Teahupoo: "Você não vai precisar nem de sorte, pois eu não vou dropar nenhuma, pode ficar tranqüilo". Já vi surfistas não pegarem onda alguma em suas baterias por ficarem totalmente travados de medo. Eu mesmo já passei por uma situação dessas em algum ponto da vida, e provavelmente ainda vou passar mais vezes por isso.
Porém, gostaria que vocês entendessem que não é feio amarelar para as ondas. Se você for pensar, tem muita gente que jamais botaria os pés na água num mar de um metro na Joaquina, pois cada um de nós tem seus próprios limites e o mar sempre é maior
do que todos aqueles que se julgam destemidos. É por isso que respeito muito os caras do tow in. Eles realmente estão levando esse assunto muito além do que imaginávamos, colocando-se em situações indescritíveis. Eles passaram dos limites, ao menos dos meus, por isso tiro o chapéu para eles.
Uma coisa é certa, nossa coragem está de acordo com o medo que sentimos. E se não sentimos medo algum, então temos um problema mais sério do que o próprio medo. Pois uma hora, saberemos quais são nossos limites através de uma situação muito animal ou até mesmo fatal, coisa que não vale a pena.
Bom, a mensagem fica: "Procurem seus limites, porém respeitem o mar e seus desafios. Afinal, o surf não se faz só de adrenalina". |
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Escrito por Cesar Marques às 01h41
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Fome de quê?
Os mais antigos utilizam uma expressão muito interessante e única para descreverem a sensação de fome – “ O meu estômago está colado nas costas”. Seria simples, se a única forma de sentir fome, fosse uma expressão antiga ou um desconforto momentâneo que pode ser resolvido com um pedaço de pão dormido.
A fome que me refiro não atinge apenas os miseráveis. Para ser mais exato, existem diversos tipos de miseráveis. Os miseráveis do sertão baiano, do agreste pernambucano, das favelas, das grandes metrópoles e aqueles que ficam escondidos nos gabinetes do Distrito Federal. A miséria não é uma sensação momentânea é um câncer que corrói o estado, a democracia e a alma do homem.
Quem tem fome? O que é a fome? Sinceramente não posso responder. Nunca passei fome e não posso imaginar o meu estômago colado nas minhas costas. Mas posso ver milhares de pessoas espalhadas pelas ruas das grandes cidades, mendigando por comida, implorando por um pouco de atenção. Não adianta abrir a janela do carro e lhes jogar a sobra do almoço ou jantar. Eles sempre continuarão nas mesmas esquinas esperando a sua caridade. E você por sua vez, sempre vai passar na mesma esquina levando às suas sobras. Essa troca é injusta; enquanto continuamos em nossos carros, nos dirigimos para nossas casas, com a “certeza” que fizemos o nosso papel. Aquele miserável que teve a sua fome enganada momentaneamente, vai procurar mais um canto qualquer para deitar e esquecer o dia que passou.
Injusta essa relação e essa troca de benefícios. Todos os dias abrimos os jornais e vemos promessas não cumpridas. Escutamos o Presidente da República(que também já foi um desses miseráveis), que já passou fome no sertão pernambucano e veio fugido da miséria, passageiro de um pau-de-arara qualquer, prometer que a fome iria acabar. O Presidente talvez tivesse se inspirado em uma canção popular que diz, “ O sertão vai virar mar”. Quem sabe inspirado também nessa mística popular, o governo lute para dar inicio às obras da transposição do rio São Francisco? Quantas empreiteiras vão “trabalhar” para levar o mar para o sertão? Quantos homens vão perder a dignidade para a corrupção?
Quando paro e analiso as mentiras que são contadas, todos os dias, pelo governo do presidente Lula, também me sinto um miserável enganado em uma esquina qualquer. A democracia é o bem mais precioso que conquistamos. Estamos em um estado democrático de direito, mas continuamos presos á ditadura da corrupção e da falta de compromissos dos nossos políticos.
Tenho fome sim... Fome de justiça.Como podemos aceitar um país que lucra bilhões em exportação de comida, deixar o seu povo passar fome? Fui enganado pelo Presidente Lula. Acreditei quando ele dizia que a esperança venceria o medo. E hoje tenho medo de ter perdido a esperança. Quando era oposição o presidente lutava bravamente pela moralidade, pela honestidade e pedia o fim da impunidade. Hoje segue impune, viajando pelo mundo e contando bravatas. Estou com medo, com raiva e com fome. Só não descobri ainda, fome de quê.
Escrito por Cesar Marques às 14h56
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