LEO JAIME, 44 anos, cantor e compositor Roqueiro sai do ostracismo e tem segunda chance graças à internet
Através de seu blog e como membro do Orkut, cantor reencontra fãs dos tempos de Sônia e vive uma nova fase em sua carreira
Otávio Dias
A internet salvou a carreira do cantor e compositor Leo Jaime. Por meio de seu blog e da comunidade virtual Orkut, o criador de músicas como Mensagem de Amor e As Sete Vampiras, sucessos na década de 80, superou o ostracismo imposto pelas gravadoras e pela grande mídia nos últimos 15 anos e tornou-se um fenômeno musical da web no Brasil.
“Tenho 20 anos de carreira, mas há 15 não lanço um disco por uma grande gravadora. Marginalizado do que chamamos de ‘mass media’, o que eu fazia não repercutia”, admite o próprio Leo. “Com o lance da internet, descobri que tem muita gente querendo saber o que estou fazendo da vida.”
E tem mesmo. Seu blog, localizado no endereço http://leojaime.blog.uol.com.br, já superou 100 mil visitas. E o músico coleciona mais de 4,6 mil amigos virtuais no Orkut.
A reviravolta cibernética do músico, que foi um dos expoentes do rock no Brasil na segunda metade dos anos 80, começou há pouco mais de dois anos, quando o músico criou seu site. “Achava que ninguém iria ver, mas ele começou a ter uma visitação grande”, diz. O passo seguinte foi criar um blog – uma espécie de diário digital onde o autor escreve o que tiver vontade e qualquer pessoa, via internet, pode acessar, ler e comentar.
Leo Jaime percebeu então que não precisava mais da tal “mass media”. Podia dialogar diretamente com as pessoas que curtiam suas músicas desde os tempos de Sônia e conquistar novos admiradores.
“Existia uma demanda, as pessoas queriam me ver, me ouvir, embora as rádios, gravadoras e emissoras de TV estivessem desinteressadas”, relata o músico, que conversou com o Estado no bar Pennélope, em São Paulo, onde ele se apresenta nas noites de quinta-feira.
O resultado é que o que ele chama de sua “barraquinha” começou a ter um movimento bem maior. “Antes o meu trabalho tinha um alcance municipal. Continuo montando a minha barraquinha numa praça. Mas é uma praça que dá volta ao mundo”, brinca.
No blog, além de fotos e informações sobre sua carreira, há um cardápio de eventos para os quais o cantor pode ser contratado. “Muito mais gente me procura para fazer shows. E o público sabe onde fui na semana passada, aonde vou na semana que vem.”
Na verdade, a barraquinha de Leo Jaime é um belo computador portátil, um laptop .iBook G4/10, da Apple, e um telefone celular, ambos ligados durante boa parte das 24 horas do dia.
Através do computador, ele fecha contratos e divulga suas futuras apresentações. Tudo sozinho, em intervalos de tempo durante o dia, onde quer que esteja. “Meu escritório e minha gravadora são meu laptop e um telefone celular. Com isso, resolvo minha vida. Quando viajo, boto tudo numa mochila e continuo plugado”, diz.
Ironicamente, ao descobrir uma maneira de driblar o desinteresse das gravadoras e da mídia, Leo Jaime volta a chamar a atenção dos “chefões” da indústria musical.
No próximo mês, a Sony lançará o CD Rock Estrela - Edição Comentada, que reunirá 16 músicas antigas, uma nova versão de Sônia e Marcianita, que está na trilha da novela das 19h da Globo.
Diante da demanda criada pela exposição no mundo online, o compositor planeja gravar novas canções em formato MP3 e disponibilizá-las para download em seu site.
“As pessoas poderão baixar as músicas pela internet e contribuir de alguma maneira, talvez comprando uma capa autografada para o CD gravado em casa”, diz. “Isso barateia e horizontaliza a produção musical, pois não dependemos mais do presidente de uma grande gravadora para podermos cantar ou ouvir o que queremos.”
Leo e sua banda atual usam um estúdio na Freguesia do Ó (na periferia paulistana) para ensaiar e gravar músicas. Mas todo o processo de gravação e tratamento da música é feito em seu iBook, com o auxílio de programas como Sonar, Reason, Pro Tools e GarageBand.
A possibilidade de produzir música em seu laptop e distribuí-la pela internet traz mais uma vantagem a Leo Jaime: agora ele pode exercitar seu lado de “compositor de marchinhas de carnaval”.
“A marchinha é o lado mais bonito do carnaval. Mas ela é como a crônica no jornalismo. Precisa ser vendida quente”, diz. “Se eu faço uma música sobre algo que está rolando, posso ensaiar com os músicos à noite, gravar no dia seguinte e de noite ela já está na internet.”
“É fundamental termos essa possibilidade de registrar o tempo e as coisas no calor das emoções. Isso aumenta as possibilidades de abordagem de temas e assuntos. A internet foi uma grande libertação para mim.”
Escrito por Cesar Marques às 19h53
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