A imprensa alternativa surgiu no Brasil juntamente com a explosão da ditadura militar e todos os males que ele causou no país nos idos de 1964 até 1970. Juntamente com a imprensa alternativa, que era formada na sua maioria por elementos culturais distintos, e pessoas que possuíam um diferencial social. Esses jovens, eram representantes de uma categoria estudantil que emergia nos pensamentos filosóficos e possuíam uma visão socialista igualitária, que era oprimida pela "botina" militar.
Em 1964, alguns fatores colaboram para o avanço do interesse e consumo dos bens culturais, destacando-se a entrada de empresas privadas em consonância no que se refere, a relação Estado-Cultura. Estava surgindo uma emergente industrialização que se diferenciava pelo nível tecnológico que englobava as castas sociais e econômicas de consumidores, através das empresas de publicidade, que recebiam as verbas do governo militar. Sendo assim, as respectivas campanhas recebiam um apelo pró-ditadura.
O Ex-presidente Geisel foi o grande provedor dessa ascensão e desenvolvimento, com o lançamento da PNC (Política Nacional de Cultura), que tinha com causa primeira a tentativa de conhecimento do pensamento da população brasileira . Esta tentativa demonstra o grau de demagogia e de política ambígua, onde o mesmo governo que reprimia, surgia com a tentativa de desenvolver um projeto do estado, com os artistas e a população civil.. A demonstração de força do estado torna-se evidente, quando este se apropria do debate em torno do nacional e do popular.
Entretanto, não podemos deixar de reconhecer, que o incomodo que a imprensa alternativa causou ao estado autoritário (que perseguia os artistas da oposição), era enorme. Os fatores que fizeram dos jornais-panfletos, um grande sucesso, foi principalmente o baixo custo de produção e a facilidade com que ele circulou nos núcleos acadêmicos e culturais de esquerda. Nasce assim um circuito alternativo, de imprensa alternativa, que tinha como primícias criticar a imprensa intelectual, patrocinada pelo governo, que recebia as verbas promocionais do estado ditador.
Os círculos culturais, os artistas de teatro, da música popular brasileira, da poesia, das artes plásticas, abraçam essa imprensa e encontram nela um veículo que podia disseminar os seus pensamentos e intenções. Foi desse modo apelidada de nanica e contra-cultural. Indo de encontro com o clássico e batendo de frente com o social- burguês. O pseudo nome desse tipo de contra-cultura, o que ficou em epígrafe; foi o termo "nanica". Essa denominação tem como característica o inovador, a liberdade e a importância do momento que o país passava. De acordo com o pensamento de alguns escritores, o termo "nanica" possuía um tom pejorativo, que fugiam as característica de liberdade e independência.
Assim como surgiu, contestador, com força e uma pugência nos âmbitos sociais e culturais, de país envolto pelo manto da ditadura, a contra-cultura, a imprensa "nanica", não resistiu aos constantes ataques do governo Geisel. Os seus mentores e colaboradores foram cassados, presos e mortos. As bancas de jornais que vendiam os jornais, pasquins e panfletos, foram explodidas por generais de dez estrelas, que ficavam sentados atrás de suas mesas no Planalto Central. O gigantismo territorial foi outro fator que serviu para vencer essa contra-cultura. Devido a vastidão territorial do Brasil, ficava inviável implementar uma logística eficiente para a distribuição desse produto cultural.
Por fim, o golpe de misericórdia foi a abertura política, o fim da censura e a anistia dos políticos exilados. Não tinha mais como concorrer com os órgãos de imprensa regulares que receberam as benesses do governo militar, e apartir daquele momento, passariam a Ter o direito de externar o mesmo tipo de pensamentos, que até então só eram privilégio dos "nanicos". Não tinha mais contra quem lutar.